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Você não pode fazer isso!

Você não pode fazer isso!

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Nos anos 60, o que não faltava na música popular, eram letras com teor machista. Basicamente, o homem dava as cartas e a mulher tinha duas opções: ficar calada e chorar ou, se fosse mais ousada, sussurrar um acanhado “sim senhor” e engolir o choro, como dizia minha Avó.

Neste contexto, uma das canções mais machistas dos Beatles (You Can´t Do That), alertava – ou melhor, ameaçava – a garota para não falar com outro rapaz, afinal ela já tinha dono. O candidato a corno, mencionava que as pessoas iriam rir dele, quando soubessem que sua namorada ficava de conversinha fiada com outro, e isso o deixava louco de raiva.

Por isso, ele era taxativo: você não pode fazer isso!!

Na vida prática, muitos de nós, temos em nossas mentes, uma voz sinistra, dizendo exatamente a mesma coisa.  E, tal qual a garota da canção, nós ficamos calados e obedecemos sem contestar.

Às vezes, caio na tentação de me irritar com o meu computador, especialmente o laptop e suas teclas sensíveis. No meio de um trabalho, quando estou no ápice da concentração, esbarro em algum comando e aparece uma tela ou alguma coisa que não tenho ideia de como surgiu. E pior: não sei como voltar à condição original (se você está rindo, é porque já passou por isso).

Depois de fuçar muitas possibilidades, consigo encontrar a causa. Mas, neste ponto, a concentração já foi tomar um milk-shake na Noruega.

O pobrezinho do computador não tem culpa da minha falta de habilidade ou cuidado. Na verdade, ele executa a função pelo qual foi projetado: obedece, sem questionar, os comandos que eu aciono, mesmo os acidentais, que me tiram do sério por alguns longos segundos.

A mente funciona da mesma forma. Simplesmente executa, sem questionar, os comandos que fornecemos a ela, mesmo àqueles que não gostaríamos de programar, nem em nossos piores pesadelos. Através destes comandos – que chamamos de crenças – a mente aciona os padrões de comportamento que adotamos. E são esses padrões que definem qual a direção que nossas vidas vão tomar.

Imagine se as crenças fossem um objeto que você poderia comprar em uma loja ou no mercado livre.  A descrição seria mais ou menos assim.

Crenças fortalecedoras: produto de qualidade garantida para conduzir ao sucesso. Incentiva a busca por superação contínua, além de produzir energia, alegria de viver, realização de sonhos, coragem para enfrentar desafios, dentre outros benefícios.  Apenas R$ 0,01, incluindo frete.

Crenças limitantes: excelente produto para gerar insegurança, incapacidade de realização, medo, depressão, sentimento de derrota, frustração, raiva de si mesmo e do mundo, mediocridade de pensamento, dentre outros malefícios. Apenas R$ 0,01, incluindo frete.

Analisando desta forma, você pensaria duas vezes qual produto comprar?

Pois saiba que muita gente escolhe as crenças limitantes para comandar sua mente, e se lamenta por obter, justamente, os resultados que não queriam.

O que elas não percebem é que os resultados são, exatamente, o que deveriam obter, quando alimentaram suas mentes com tantos comandos inadequados aos seus propósitos de origem.

Quem quer, conscientemente, ser um perdedor na vida? Quem, em plena capacidade de suas faculdades mentais, desejaria algo do tipo: ah, se Deus quiser, até o fim do ano, vou estar bem deprimido, sem motivação, sem capacidade de realização e totalmente na merda.

O funcionamento desta incrível e complexa máquina chamada mente, é (paradoxalmente) extremamente simples: se você acredita que será bem-sucedido em alguma coisa, seu conjunto de crenças fortalecedoras vai impulsioná-lo para a vitória. Se acreditar que vai fracassar, suas crenças limitadoras vão trabalhar para provar que você tem toda razão.

Você pode escolher em o quer acreditar. Nada é imutável neste campo.

Então, quando surgir aquela voz sussurrando “você não pode fazer isso”, busque provar que ela está errada. Saía de onde está (estado emocional) e dê um passo à frente, seja ele qual for.

Crenças limitadoras se alimentam de nossa acomodação. Para surgir o novo, é preciso sair de onde se está.

Quando estacionamos em uma situação, o cenário é sempre o mesmo, e pode até parecer seguro e confortável, à princípio. Porém, se um dia você tentar sair, poderá sentir muita dificuldade. Criou-se raízes, tal qual uma árvore. E quanto mais o tempo passa, mais as raízes se fortalecem, impedindo que você saia para viver uma existência plena.

Se permita dar um passo além, mesmo que possa parecer doloroso. Desta forma, vai criar conexões neurais que vão se expandir e se fortalecerem, e o que parece impossível hoje, se tornará perfeitamente viável amanhã.

Lembre-se: Eles podem porque pensam que podem (Virgílio)

BEATLES 1966 Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon and George Harrison at Top Of The Pops
BEATLES 1966 Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon and George Harrison at Top Of The Pops

 

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