Zé Mário Sperry e Sérgio Penha valorizam o Jiu-Jítsu ‘simples e eficaz’ e comparam o esporte no Brasil e no exterior, em seminário realizado na Vila Olímpica de Manaus

Zé Mário Sperry e Sérgio Penha valorizam o Jiu-Jítsu ‘simples e eficaz’ e comparam o esporte no Brasil e no exterior, em seminário realizado na Vila Olímpica de Manaus

Admirados em todo mundo e considerados lendas da arte suave, Zé Mário Sperry e Sérgio Penha estão em Manaus. Na noite de quinta-feira, dia 9, eles ministraram o seminário ‘Segredo dos Campeões’, que teve duração de quase três horas para a alegria daqueles que estavam sedentos por conhecimento. A dupla, respeitada no meio da luta, segue na capital para neste final de semana, 11 e 12, conferir o National Pro de Jiu-Jítsu, que vai revelar os 55 atletas que irão compor a primeira seleção brasileira do País e que vão ganhar o free pass para o World Pro de Jiu-Jítsu, que acontece em abril, nos Emirados Árabes. Os eventos recebem apoio do Governo do Amazonas, via Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel).

Durante o Seminário, quase que por unanimidade, os mais de 100 atletas destacaram que o grande diferencial de Zé Mário Sperry é ensinar um Jiu-Jítsu simples e eficaz. Algo, inclusive, que o faixa preta natural do Rio de Janeiro prefere manter como sua essência e afirma categoricamente que sem a base da arte suave, não é possível um atleta se destacar. Além disso, fez uma comparação do que acontece atualmente com o esporte no Brasil e no exterior.

“Acho que o grande problema que tem acontecido hoje no Brasil, mas principalmente nos Estados Unidos, é que as pessoas procuram muito o final, quer aprender o Jiu-Jítsu, mas começa pelas finalizações. Porém, antes de saber finalizar alguém, você tem que saber aprender fazer outras coisas que são muito mais importantes, como o controle, a disciplina, como se portar no tatame, o respeito com o próximo, o respeito com o parceiro, com o professor, o cuidado com o kimono, e as posições básicas, que são de passagem de guarda. Então, vejo muito faixa branca e azul hoje em dia querendo fazer coisas complexas e acabam se frustrando. Assim, é necessário entender que existe um período de maturação, de aprendizagem. A base sólida, a lapidação, é o caminho para ser um grande campeão. Na esmagadora maioria das vezes, são movimentos simples que vão fazer um atleta ganhar uma competição”, destacou.

Ainda segundo o ex-treinador de Anderson Silva, que nunca havia vindo a Manaus, a expectativa para o National é a melhor possível. Até porque, ele ficará frente a frente, pela primeira vez, dos cascas-grossas que vão compor a seleção brasileira que será comandada por ele, em Abu Dhabi. Apesar da responsabilidade, Sperry ressalta que gosta de desafios e os próximos meses será de muito estudo para afinar a delegação canarinho.

“Eu recebi com muita alegria esta notícia. Venho treinando desde os cinco anos de idade e estou com 45 anos e é um privilégio poder ser reconhecido desta forma. Agora é mais um desafio e vou ter que entender esta função e saber o que é o escopo do trabalho e tentar devolver o melhor percurso para atender a equipe. O National em Manaus será um marco e eu não poderia estar mais feliz, pois eu tenho vários amigos amazonenses que a luta me proporcionou, conheço a fama do bom celeiro que aqui existe, e hoje (ontem) no seminário eu pude ver de perto essa força e garra. Acho que o segredo está tambem na alimentação daqui, no peixe, no açaí”, brincou o Mestre.

Ensinamentos valiosos – Um dos sortudos em dividir o tatame com Zé Mário foi o faixa-preta Artemes Farias, 39. O empresário vai disputar o National no final de semana pela categoria Máster I, peso pena, e conta que os ‘ajustes’ feitos pelo mestre de referência vai servir para ele se dar bem na seletiva.

“Foi a primeira vez que participei de um seminário com o mestre Zé, o conhecia desde a minha infância pela carreira dele, e é uma honra poder aprender com ele. Como o Mestre vem do Jiu-Jítsu tradicional, algo diferente dessa geração que está entrando, é uma oportunidade única poder aprender com ele. Tem coisas aqui, que já poderei utilizar com cautela no National e me sair muito melhor. Ele traz a simplicidade que funciona e isso é o mais importante, pois a perfeição vem com a prática. Pela minha categoria, todos que vou enfrentar eu só ouvi falar, pois vai ser a minha estreia pela Master faixa preta, mas sei que tem muita gente boa, um deles é o Ares Neto, da equipe Carioca e o Bigode da Monteiro. A missão é dura, mas a vontade é grande”, destacou o pupilo.

Representando a classe feminina, Natalia Araujo foi uma das atletas que tambem saiu satisfeita do Seminário. Segundo ela, os ensinamentos aprendidos serão propagados às 100 crianças, jovens e adultos que participam do projeto social que ela administra, o Araújo Top Fighter, desenvolvido na Zona Leste de Manaus.

“É incrível poder ter acesso a experiência desses dois mestres. Mesmo em conversa, já percebemos o quanto de ensinamentos podem ser passados e tudo melhora quando eles começam a parte prática. A fama deles faz jus ao que eles representam para a arte suave e eu não poderia estar mais contente em poder aprender, me aperfeiçoar e levar isso para o meu projeto. Muitos dos meus alunos não puderam vir porque estudam, trabalham, mas estou com a responsabilidade de repassar os ensinamentos e encaro com muita responsabilidade esta missão”, destacou Natalia.

Com o atraso na escala no Panamá, o consagrado mestre Sérgio Penha chegou ao Seminário uma hora e meia após o previsto, mas nem por isso deixou de conversar e ser ‘reverenciado’ pelos atletas que o aguardavam. “Não tenho como descrever o que estou sentindo em Manaus. Estou poucas horas aqui, mas é maravilhoso poder sentir este carinho, respeito e alegria dos atletas comigo. Isso representa a força do Jiu-Jítsu e estou aqui de coração aberto, pronto para somar com todos. A sabedoria só é boa quando compartilhada e assim como passo conhecimento, tambem recebo”, disse o faixa coral de Jiu-Jítsu e faixa preta de Judô.

Zé e Sérgio – Zé Mário Sperry iniciou no mundo da luta aos cinco anos de idade, no judô especificadamente. Na adolescência, ele foi cria da lendária academia Carlson Gracie, em Copacabana, e conquistou o ouro no primeiro Mundial de Jiu-Jítsu da história pela categoria pesadíssimo. O lutador tambem se destacou ao conquistar a primeira edição do ADCC, em 1998, na categoria até 99kg e na absoluto. Durante sua carreira, colecionou passagem por equipes que contavam com referências do esporte, como Libório, Bustamante, Marcos Conan, Wallid, Belfort e foi um dos fundadores da Brazilian Top Team (BTT). Atualmente, ele mora em Miami.

Nascido no Rio de Janeiro, Sérgio Penha tentou enveredar pelo vôlei de praia e natação quando muito jovem, mas se identificou mesmo foi com a arte suave. Considerado um prodígio do Jiu-Jítsu durante a década de 1980, Penha também é reconhecido como um dos principais aperfeiçoadores da posição de guarda fechada e se tornou tambem um treinador de grappling. Atualmente, super respeitado no meio, o mestre é sétimo grau coral de Jiu-Jítsu e faixa preta de Judô.

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